Bidspirit auction | Porto Real [Lancelot, Claude (Port-Royal)];
Porto Real [Lancelot, Claude (Port-Royal)]; [Magalhães, João Jacinto de (trad.)] – NOVO EPITOME DA GRAMATICA GREGA DE PORTO REAL ACOMODADO NA LINGUA PORTUGUEZA PARA UZO DAS NOVAS ESCOLAS, &c. Lisboa [Paris?]. s.n. [Didot?] 1760. XVI-382 pp. 17,2 cm x 10,3 cm. E. - 1.ª edição portuguesa deste célebre compêndio de gramática latina editado pela primeira vez em 1656 pelo monge beneditino e jansenista Claude Lancelot (1615 - 1695), um dos fundadores das Petites écoles de Port-Royal, em Port-Royal-des-Champs, antiga abadia feminina cisterciense onde se instalou o maior centro jansenista francês e donde advém o nome deste epítome. Lancelot foi um gramático de grande craveira, tendo redigido vários manuais, incluindo para latim e, em 1660, publicaria a célebre Grammaire générale et raisonnée, um dos textos fundacionais da língua francesa moderna. Nesse mesmo ano, seria forçado a abandonar a velha abadia e acabaria os seus na Bretagne. A versão portuguesa deste texto, mandado imprimir para suprir as necessidades educativas após a expulsão dos jesuítas e para equipar os novos estabelecimentos de ensino que Pombal idealizara (incluindo, apenas um ano mais tarde, o Real Colégio dos Nobres), foi, de acordo com Innocencio, da autoria do cónego regrante João Jacinto de Magalhães. Este acabaria por abandonar a regra, passando a secular em 1763, tendo embarcado depois para Inglaterra onde estudaria e publicaria sobre Física, acabando célebre em toda a Europa. Razoável estado geral de conservação. Encadernação coeva, inteira de pele, com ornatos a ouro na lombada recta e ligeiramente nervurada; esta manuseada e com alguns defeitos. Corte marmoreado. Falta-lhe a folha da dedicatória assinada por Magalhães, o que, concorrendo com o restauro da folha de rosto, indica tratar-se esta da edição parisiense de François-Ambroise Didot, como indica Innocencio (T. III, p. 386). O recurso a um impressor francês pode ter-se devido ao carácter pioneiro da obra, havendo, provavelmente, falta de impressores com capacidade para produzir um livro com caracteres gregos de qualidade em Portugal. Interior com trabalho do bicho transversal ao volume, afectando por vezes a mancha. Muito raro. Obra pioneira.