Bidspirit auction | [TEATRO] Mesquita, Marcellino - PEROLA
[TEATRO] Mesquita, Marcellino - PEROLA (EPISODIO DA VIDA ACADEMICA). COMEDIA-DRAMA EM 5 ACTOS. Lisboa. Typographia das Novidades. 1885. 115 pp. 19,7 cm x 13 cm. E. - «Comedia-Drama em 5 Actos // Prohibida — por immoral — pelo Sr. A. Sousa e Vasconcellos, // commissario regio junto ao Theatro de D. Maria II». Marcelino Mesquita (Cartaxo, 1856 – Lisboa, 1919) foi médico, jornalista, dramaturgo e figura central da vida cultural lisboeta na viragem do século XIX para o XX. Estudou no Seminário de Santarém, na Escola Politécnica e na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, onde se formou em 1885, ano em que estreou esta polémica peça que ora se apresenta a martelo. Desde cedo cultivou o gosto pelo jornalismo, fundando «O cronista» (1886) e dirigindo «A Comédia Portuguesa» (1888). Foi deputado pelo círculo da Guarda (1890-1892), dirigiu o jornal «Portugal» e colaborou em múltiplas publicações. A sua carreira dramatúrgica prolongou-se por três décadas, com peças representadas no Teatro Nacional D. Maria II, no Teatro D. Amélia e no Teatro do Príncipe Real. Entre as obras mais notórias contam-se «Leonor Teles» (1889), «Dor Suprema» (1895) e «Peraltas e Sécias» (1899). A sua produção articula duas tendências dominantes do teatro português da época: o naturalismo-realismo, que retrata a vida contemporânea («O Senhor Barão», «Almas doentes»), e o neorromantismo historicista, que exalta figuras e episódios da história nacional («O regente», «Pedro o Cruel»). Escreveu ainda adaptações e paródias, como «O tirano da bela Urraca» (1898) e «Petrónio» (1901). Para além da dramaturgia, Marcelino Mesquita deixou também obra poética («Meridionais», 1881; «O grande amor», 1918), contos («Na Azenha», 1896), trabalhos históricos («Os quatro reis impostores», 1908) e uma tese médica sobre histeria (1884). Traduziu ainda «A Rússia vermelha» (1908), de John Foster Fraser. Faleceu em Lisboa, na Rua das Amoreiras, perto do jardim que, em 1925, passaria a ostentar o seu nome. Bom estado geral de conservação. Boa encadernação meia-amador posterior. Não conserva as capas de brochura. Assinatura de posse à cabeça da folha de rosto. Miolo com alguma presença de ténues manchas de acidez. Muito raro.