Bidspirit auction | COMMENTARII COLLEGII CONIMBRICENSIS SOCIETATIS IESV.
COMMENTARII COLLEGII CONIMBRICENSIS SOCIETATIS IESV. IN QVATVOR LIBROS DE COELO ARISTOTELIS STAGIRITÆ, &c. 4 vols. Olisipone. Ex officina Simonis Lopeſij. 1593. (8) 447 (1) pp. 22 cm x 16,2 cm. E. - — ENC. COM: — COMMENTARII COLLEGII CONIMBRICENSIS SOCIETATIS IESV. IN LIBROS METEORORVM ARISTOTELIS STAGIRITÆ, &c. Olisipone. Ex officina Simonis Lopeſij. 1593. 143 (1) pp. COMMENTARII COLLEGII CONIMBRICENSIS SOCIETATIS IESV IN LIBROS ARISTOTELIS, QVI PARVA NATVRALIA APPELANTVUR, &c. Olisipone. Ex officina Simonis Lopeſij. 1593. 104 pp. IN LIBROS ETHICORVM ARISTOTELIS AD NICOMACHVM, ALIQVOT CONIMBRICENSIS CVRSVS DISPVTATIONES, IN QVIBVS PRAECIPVA QVAEDAM ETHICAE DISCIPLINAE CAPITA CONTINENTVR, &c. Olisipone. Ex officina Simonis Lopeſij. 1593. 95 (1) pp. Obras atribuídas a Manuel de Góis (1543-1597) de extrema importância para a cultura portuguesa, já que constituíram parte do Curso Aristotélico Conimbricense do Colégio da cidade. Apesar de produção conimbricense, foi, curiosamente, necessário recorrer à oficina lisboeta de Simão Lopes para a sua impressão, talvez por motivos de ordem técnica, uma vez que o texto de Aristóteles é inserido em elegantes quadros em itálico. Os frontispícios ostentam o emblema da Companhia de Jesus em cartela maneirista xilogravada com grande erudição, sob o lema «Turris Fortissima Nomen Domini» («O Nome do Senhor é torre muito forte»). Carvalho (2021) chama a atenção para a primeira folha do volume, onde se indica que os títulos foram apresentados juntos ao exame de quatro censores do Santo Ofício: Bartholomeu Ferreira, Nicolau Pimenta, Luis de Sotto Maior e Rodrigo Goes. Diz-nos o mesmo autor que «De todos estes nomes, merece destaque Luís de Sotomaior (1526-1610), vice-reitor da Universidade de Coimbra, com experiência docente em Oxford, Cambridge, Flandres e na Alemanha, além de representante português no Concílio de Trento.» Estas edições, que se seguiram ao volume da Physica, publicado no ano anterior, tiveram um sucesso europeu retumbante, e foram reeditadas, várias vezes, em centros como Veneza, Lyon, Colónia, Hamburgo e Mainz, tendo-se mantido como manuais dos colégios jesuítas até meados de setecentos (id. ibid.). O padre jesuíta Manuel de Góis era natural de Portel e destacou-se como filósofo e como o principal responsável por estes célebres Comentários às obras de Aristóteles, publicados em oito volumes entre 1592 e 1606. Ingressou na Companhia de Jesus em 1560 e cedo se ligou à Universidade de Coimbra, onde leccionou Humanidades e Filosofia e conviveu com figuras como Pedro da Fonseca e Luís de Molina. Entre 1574 e 1582 ensinou filosofia em Coimbra, sendo depois incumbido de redigir grande parte destes volumes do Curso Conimbricense. Contribuiu com sete comentários sobre a Physica, Meteorologia, Parva Naturalia, Ethica, De Coelo, De Anima e De Generatione et Corruptione. Escreveu ainda um tratado inédito, ”Utrum intellectus sit potentia nobilior voluntate” (1582). Morreu em Coimbra a 13 de Fevereiro de 1597 como uma das principais figuras da época áurea do ensino jesuítico em Portugal. Bom estado geral de conservação. Belíssima encadernação coeva em pele ornada com ferros a seco de gramática decorativa quinhentista onde surgem cercaduras com ”tondos” e motivos florais e vegetalistas de grande sensibilidade maneirista. Cansada e com falha à cabeça da lombada (cf. fotografias). Corte inteiro carminado. Assinatura de Francisco Pacheco Pereira Silva numa das guardas de abertura, que poderá ser o pertence do Cónego e Provisor do Arcebispado Primaz de Braga nascido em 1697 e falecido em 1763. Este prelado foi um dos que mandou executar o célebre ”Mappa das Ruas de Braga” em 1750 ao Pe. Ricardo da Rocha. A outra assinatura de posse, no frontispício, é de Alexandre da Sylva, sendo muito difícil avançar com uma identificação concreta. Alguns picos da traça sem grande expressão ao longo do volume, circunscritos sobretudo às margens e ao canto inferior direito; contudo, afectam em dois pontos o frontispício, por vezes, a mancha, sem prejuízo da leitura. Apresenta ainda algumas manchas ténues de humidade e, em pouco número, algumas folhas amarelecidas ou escurecidas. Extremamente raro e de alto valor cultural. Referências: Anselmo, 794, p. 229 e segs. D. Manuel II, 226. Santiago de Carvalho, M. (2021). In Quatuor Libros de Coelo. Consult. em: https://www.conimbricenses.org/in-quatuor-libros-de-coelo/ Idem (2019). ”Manuel de Góis: The Coimbra Course and the Definition of an Early Jesuit Philosophy”. In Jesuit Philosophy on the Eve of Modernity. Brill.