Bidspirit auction | [BRASILIANA; ESCRAVATURA] Carvalho, Marques de
[BRASILIANA; ESCRAVATURA] Carvalho, Marques de - O SONHO DO MONARCHA: POEMETO ABOLICIONISTA. Recife. Typographia Industrial. 1886. 14 (2) pp. 20,5 cm x 14,3 cm. B. - Primeira obra publicada por João Marques de Carvalho (1866-1910), acérrimo abolicionista, diplomata, escritor e jornalista brasileiro. De acordo com Sacramento Blake (3.º vol., p. 487), Marques de Carvalho fez estudos em Portugal e em Paris, tendo regressado ao Pará em 1883. Trabalhou depois nos jornais ”Diário de Belém”, ”A Província do Pará” e ”Diário do Comércio do Pará”. Foi membro fundador da Academia Paraense de Letras e Secretário do Governo do Estado do Pará. A sua obra mais conhecida é o romance naturalista ”Hortência” (1888). Tal como neste poema, nesse livro e numa nota extensa, Marques de Carvalho discute a evolução da reforma política e social no Brasil e afirma que se trata, não apenas de “fantasia poética”, mas de um gesto público em solidariedade com a causa da abolição da escravatura. Marques de Carvalho foi um dos poucos escritores da Amazónia paraense a publicar regularmente em periódicos e livros, produzindo poemas, contos e romances. Defensor convicto do Naturalismo, estilo que adoptou contra a predominância romântica da Belém fini-oitocentista, tornou-se numa das vozes mais firmes da sua região. Entre as suas obras mais importantes contam-se ainda ”O Pajé” (1887), que, com ”Hortência”, têm ambas como pano de fundo Belém do Pará. Os versos abrem com uma dedicatória acintosa ”Ao cidadão Pedro de Alcantara”, o imperador Pedro II do Brasil, continuando: IMPERADOR! tu vaes ouvir a voz potente D'uns párias miseraveis... pobre, mansa gente De quem zombas e rís em tua magestade De monarcha orgulhoso... O pária talvez ha de Vencer um dia a pugna athlética, enervante, Que se fére renhida e forte n'este instante Do norte ao sul do imperio, O' egual de Tiberio, Imperador senil... Valorizado com dedicatória autógrafa extensa a seu tio ”e amigo” Francisco J. Dias de Carvalho, provavelmente o mesmo com quem estudou em Portugal e que Sacramento Blake apoda de ”varão de alto saber”. Nela, o autor confessa ter tentado usar neste livro uma nova forma de métrica já tentada por Guerra Junqueiro e Gomes Leal, ”a qual não está ainda habituado o publico”. Extremamente invulgar.