Bidspirit auction | [FARMÁCIA; MEDICINA] Lewis, M. -
[FARMÁCIA; MEDICINA] Lewis, M. - CONHECIMENTO PRATICO DOS MEDICAMENTOS OU NOVA PHARMACOPÉA. Tomo III [de 3]. Lisboa. Impressão Regia. 1815. 285 (3) pp. 20 cm x 14,5 cm. E. - Parece-nos ser este Tomo III, parte de um conjunto de trabalhos publicados em três tomos, fundado num dos manuais de farmácia escritos no Século das Luzes pelo físico e químico inglês William Lewis (1708 — 1781). É provável que esta preciosa tradução do boticário da corte de D. João VI, Caetano José de Carvalho (act. pelo menos entre 1815-1823), fosse uma adaptação da obra de Lewis ”Pharmacopoeia Reformata” (Londres, 1744), ou da ”Pharmacopœia Edinburgensis”, publicada por Lewis na mesma cidade em 1748, obra que se tornaria numa grande referência europeia. Todavia, Caetano José de Carvalho , que teria alguma importância na actualização da literatura farmacêutica anglo-francesa para uso luso-brasileiro no início do século XIX, expande o trabalho do químico britânico, uma vez que algumas ideias de Lewis já se encontrariam certamente obsoletas à época. Recorde-se que as guerras em que a Europa se revolveu a partir de meados do séc. XVIII e, sobretudo, com a explosão das Guerras Napoleónicas, tiveram o efeito estranho de, ao colocarem uma pressão excessiva nos exércitos e nas marinhas de guerra, fomentarem um grande desenvolvimento das artes da farmácia, da medicina e da cirurgia. Relembramos ainda que, neste anno de 1815 em que esta edição sai dos prelos da mítica Regia, é constituído o Reino Unido de Portugal, do Brasil e dos Algarves. O facto de Caetano assinar como «desta corte» em Lisboa pode indiciar a ambiguidade entre o poder político do Conselho da Regência e da corte no Brasil e a marcação de um certo poder régio na Cabeça do Império, já que o braço da Regia no Rio começava por esta altura a imprimir também algumas das obras científicas e técnicas mais importantes da história da língua portuguesa, a que se aliava um fulgor de experimentação e curiosidade científica de base iluminista com a riqueza natural incomensurável do Brasil. Bom estado geral de conservação. Encadernação simples, inteira de carneira; cansada. Escritos a tinta nas pastas, quase imperceptíveis, assim como a lápis nas guardas de abertura e fecho. Impressão em papel alvo e sonante, apanágio desta fase dourada da impressão em Portugal. Miolo com algumas manchas ténues de humidade. Muito raro.