Bidspirit auction | BREVIARIUM BRACHARENSE AB ILLUSTRISSIMO DOMINO
BREVIARIUM BRACHARENSE AB ILLUSTRISSIMO DOMINO D. RUDERICO DE MOURA TELLES, &c. PARS HYEMALIS. Bracharæ Augustæ. 1724. (66) 822 pp. - CLXXX (4) 14 pp. - CCXXV (cont.). 20 cm x 15,5 cm. E. - Breviário do rito próprio bracarense publicado sob mando do Arcebispo Primaz das Hespanhas D. Rodrigo de Moura Teles (1644 – 1728), um dos mais importantes e influentes prelados da sua geração e certamente uma das mais marcantes figuras da história da bimilenária Bracara Augusta. De acordo com Carvalho (2007), esta uma nova edição do Breviarium Bracarense, foi financiada com os 3.223.317 réis que o seu antecessor, D. João de Sousa (1696–1703), destinara inicialmente para o mesmo fim. D. João, tentando suprir a falta de breviários bracarenses, desviara essa quantia da construção da casa das relíquias da catedral, mas não chegara a imprimir a obra. Habituado ao rito romano, D. Rodrigo pedira à Santa Sé autorização para alternar entre os dois ritos, mas acabou por se manter fiel ao bracarense e iniciou uma ampla reforma litúrgica. Primeiro, em 1713, mandou rever e ampliar os ”Officia proprium sanctorum bracharensis diocesis” — que a ANNO também já teve o privilégio de levar a martelo (ver leilão ANNO SECVNDO /01, lote 46) —, impondo multas e penas de excomunhão aos clérigos que não utilizassem os textos bracarenses. Posteriormente, promoveu esta edição reformada do breviário, justificando-a com o desejo de recuperar a tradição litúrgica local, que considerava deturpada pela influência romana e pela inclusão de santos alheios ao calendário bracarense. Contudo, a sua própria reforma foi alvo de críticas por falta de rigor histórico, nomeadamente por introduzir cinco santos arcebispos sem culto local e apoiar-se em cronistas posteriormente desacreditados pela Academia Real da História. Este volume corresponde à ”Pars Hyemalis” do ano litúrgico, isto é, ao Inverno, apresentando um calendário de Janeiro até Julho. Impressão a duas cores. Ilustrado com belíssimas gravuras não assinadas, uma na anteportada com uma alegoria ao padroeiro de Braga, São Geraldo, e demais no interior em hors-texte . Configuram-se todas por um grande rigor estético do barroco pleno, bastante ”aggiornato”, provavelmente ligado ao notável círculo artístico que na altura laborava na velha Bracara e que incluía figuras de grande capacidade inventiva para o desenho como o escultor Marceliano de Araújo ou o arquitecto Manuel Fernandes da Silva. Razoável estado geral de conservação. Encadernação coeva em carneira com pregaria na pastas. Conserva os fechos com tiras e apenas uma das brochas, funcional. Bastante manuseado, como é próprio do intenso uso destes livros. Assinaturas de posse de dois cónegos no verso da pasta anterior. Caderno inicial seguro apenas por dois pontos de cosedura. No interior, em geral limpo, apresenta várias folhas em que a impressão a encarnado faz trespasse da tinta para as vizinhas, ainda que não prejudicando a leitura. Bibliografia auxiliar: Carvalho, J. F. de (2007). A liturgia em Braga. In Didaskalia, XXVII, 2.