Bidspirit auction | [MANUSCRITO; BRASILIANA] MEMÓRIA DE SIMÃO


[MANUSCRITO; BRASILIANA] MEMÓRIA DE SIMÃO PIRES SARDINHA SOBRE UNS OSSOS ACHADOS NA CAPITANIA DE MINAS GERAIS. c. 1785. 4 fls. 30 cm x 21 cm. - Cópia coeva de uma curiosíssima relação lavrada pelo naturalista Simão Pires Sardinha a mando do governador da Capitania de Minas Gerais, D. Luís da Cunha Menezes, sobre umas ossadas de grandes dimensões achadas por escravos na mina de ouro dita “do Padre Lopes”, na região de Prados da comarca de Rio das Mortes, em Maio de 1785. Os vestígios descritos, que provavelmente se remeteram para o Reino juntamente com a missiva original, foram interpretados pelo redactor como havendo pertencido a um gigante humanóide de 10 a 12 metros de altura, conquanto considere também a possibilidade de se reportarem a “algum animal, q[ue] pelas revoluçoens do tempo se tenha perdido a sua especie”; é hoje suposto, aliás em linha com esta última hipótese de Sardinha, que tivessem pertencido a um espécime da megafauna pleistocénica, possivelmente um mastodonte. Conhecem-se em fundos públicos pelo menos duas mais cópias desta memória, uma no Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa e outra no Arquivo Histórico do Museu Bocage/Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa. Simão Pires Sardinha (1751-1808) foi filho do médico e comerciante português Manuel Pires Sardinha com a célebre escrava Francisca Parda, dita “Chica da Silva”; liberto da condição a que o haviam condenado as circunstâncias do nascimento e constituído herdeiro de seu pai, rumou a Coimbra, onde se formou em artes, vindo posteriormente a obter (mediante ocultação das suas origens) o hábito de Cristo; protegido do sobredito D. Luís da Cunha Menezes, serviu como sargento-mor de comarca em Minas Gerais sob a sua capitania, posição em que produziu o texto aqui tresladado. Foi cultor dedicado dos princípios do iluminismo e desenvolveu diversos estudos e investigações no âmbito das ciências naturais, o que lhe veio a merecer a eleição como sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa. Oxidação generalizada e alguns vestígios de trabalho de traça, com fragilização e pontual corrupção do suporte, sobretudo nas margens superior e inferior do primeiro e último fólio, mas sem prejuízo da leitura integral do texto e passíveis de restauro. Em capilha recente.