Bidspirit auction | [BRASILIANA] Perier, R. P. Alexandre


[BRASILIANA] Perier, R. P. Alexandre - DESENGANO DOS PECCADORES, &c. Lisboa. Officina de Antonio Pedrozo Galram. 1735. (26) 460 pp. 20,5 cm x 14,3 cm. E. - «Terceira impressão» de uma das mais extraordinárias e curiosas obras devocionais da missionação jesuítica, traduzida e adaptada da edição romana original (Roma, Off. Antonio Rossi, 1724). De acordo com Borba de Moraes, o autor, o padre Alexandre Perier, jesuíta italiano nascido provavelmente em Turim c. de 1651, serviu durante décadas, como Superior, nas missões da Paraíba e de Cabo Frio, onde granjeou fama pelas suas ilustrações didácticas usadas na catequização dos povos ameríndios. Aproveitando o êxito dessas representações, concebeu este vasto tratado moral e de pregação, estruturado em discursos sobre o pecado, o Inferno e o Juízo Final, com um fortíssimo pendor imagético e teatral. O ”Desengano dos Peccadores” descreve, com minúcia e horror barroco, os tormentos reservados às almas condenadas, acompanhados de gravuras de intensa expressividade, representando as penas infernais, demónios e suplícios corporais. Algumas das passagens, segundo a tradição, ter-se-iam inspirado em episódios e personagens observados no Brasil colonial. Perier é também bastante severo nas condenações aos senhores que maltratavam os seus escravos. A obra, amplamente divulgada entre missionários e pregadores, foi alvo de severa censura e, em 1771, acabou proibida pela Igreja devido aos «exageros, erros teológicos e ridículas estampas» das primeiras edições. Posteriormente, as versões portuguesas foram alteradas, suprimindo as gravuras mais chocantes. O ”Desengano dos Peccadores” é, assim, tido como um dos mais significativos testemunhos do imaginário devocional e missionário do século XVIII, conjugando retórica apocalíptica, arte tipográfica e iconografia de rara expressividade. As edições com as 15 gravuras originais são de extrema raridade e de grande interesse para coleccionadores de literatura jesuítica e iconografia religiosa. Bom estado geral de conservação, ainda que incompleto: faltam-lhe 2 fls. na dedicatória inicial de L. Morganti, mas contém as 15 gravuras originais . Encadernação coeva em carneira; cansada. Restauro na folha de rosto. Folha //*** rasgada, mas sem perda de suporte. Presença muito pontual do bicho à cabeça e nesta junto ao festo, sem grande expressão. Miolo muito limpo. Innocencio, T. I, 225, p. 39. Monteverde 4114. Borba de Moraes, vol. 2, 660.