Bidspirit auction | [SILVICULTURA; ENGENHARIA FLORESTAL] Varnhagen, Friderico
[SILVICULTURA; ENGENHARIA FLORESTAL] Varnhagen, Friderico Luiz Guilherme de - MANUAL DE INSTRUCÇÕES PRATICAS SOBRE A SEMENTEIRA, CULTURA E CORTE DOS PINHEIROS, E CONSERVAÇÃO DA MADEIRA DOS MESMOS; &c. Lisboa. Typografia da Academia. 1836. 101 (3) pp. 15,5 cm x 11,5 cm. Desenc. - Obra que apresenta as preocupações florestais da época e oferece instruções práticas sobre a sementeira, cultura, corte dos pinheiros, conservação da madeira dos mesmos e indica os métodos mais apropriados para o clima português. Frederico Luiz Guilherme de Varnhagen [Friedrich Ludwig Wilhelm von Varnhagen] (1782-1842) foi um engenheiro militar de origem alemã que teve uma influência decisiva na industrialização e na administração florestal portuguesa do século XIX. Natural de Arolsen, no principado de Waldeck (Alemanha), veio para Portugal a convite do governo, onde assumiu a direcção das Reais Ferrarias da Foz de Alge — um importante complexo de fundição de artilharia localizado em Figueiró dos Vinhos. Posteriormente, em 1824, foi nomeado primeiro Administrador-Geral da Administração Geral das Matas do Reino, com sede na Marinha Grande, cargo que desempenhou até à sua morte. Durante o seu mandato, implementou mudanças técnicas e organizativas no Pinhal do Rei (Mata Nacional de Leiria): mandou levantar nova planta topográfica em 1841, construiu viveiro de pinheiros no Tremelgo — por volta de 1830 — e publicou, em 1836, este “Manual de instruções práticas sobre a sementeira, cultura e corte de pinheiros, e conservação da madeira dos mesmos”, onde abordou questões que se mantêm actuais, como o uso de fogo controlado para a prevenção de incêndios.  A importância de Varnhagen no âmbito industrial e florestal reside no facto de ter realizado a transição entre um modelo rudimentar para práticas mais sistemáticas e técnicas no domínio das matas e da silvicultura em Portugal. No setor industrial, enquanto director das fundições, participou no relançamento da metalurgia nacional (sobretudo para fins bélicos) e no estabelecimento de bases técnicas mais modernas. No domínio florestal, a sua direcção da Administração das Matas do Reino marca o início de uma administração centralizada das florestas do Estado — o organismo precursor dos actuais serviços florestais portugueses — e a sua obra publicou-se como manual de boas práticas silvícolas, influenciando gerações posteriores de engenheiros florestais em Portugal. Bom estado geral de conservação. Desencadernado. A última folha apresenta um pequeno orifício, sem tocar na mancha. Interior muito limpo e em papel sonante. Extremamente raro. Poucos exemplares sinalizados.