Bidspirit auction | Santo António, Frei Henrique de


Santo António, Frei Henrique de - CHRONICA DOS EREMITAS DA SERRA DE OSSA NO REINO DE PORTUGAL, &c. 2 vols. Lisboa. Na Officina de Francisco da Sylva. 1745-1752. 986 pp.; 961 (1) pp. 30,5 cm x 20,5 cm; 34 cm x 22,5 cm. E. - Santo António, Henrique de - CHRONICA DOS EREMITAS DA SERRA DE OSSA NO REINO DE PORTUGAL, E DOS QUE FLORESCERAM EM TODOS OS MAIS ERMOS DA CHRISTANDADE; DOS QUAES NOS SEGUINTES SECULOS SE FORMOU A CONGREGAÇÃO DOS POBRES DE JESU CHRISTO; E MUITOS DEPOIS DA SAGRADA DE S. PAULO PRIMEIRO EREMITA, CHAMADA DOS EREMITAS DA SERRA DE OSSA. 2 vols. Lisboa. Na Officina de Francisco da Sylva. 1745-1752. (64) 986 pp.; (30) 961 (1) pp. 30,5 cm x 20,5 cm; 34 cm x 22,5 cm. E. Esta obra apresenta-se como a mais extensa e cuidada história da vida eremítica na Serra d’Ossa, descrevendo a evolução institucional da comunidade desde o séc. I da nossa era até ao séc. IX. Narrativa por vezes fantasiosa, não deixa, ainda assim, de constituir um exemplo extraordinário da prosa barroca portuguesa. O importante mosteiro da Serra d'Ossa, para além de uma jóia arquitectónica, é uma das primeiras comunidades ermíticas identificadas na Península Ibérica, com testemunhos que remontam pelo menos ao séc. IV da Era Comum. A partir de finais da Idade Média inicia-se o estabelecimento de uma comunidade mais organizada, ainda que só a partir de 1536 é que esta toma a regra augustiniana. Em 1578, institui-se a Congregação dos Eremitas de São Paulo, tornando-se o mosteiro na cabeça da ordem no Reyno de Portugal e num dos mais importantes mosteiros do país, chegando a albergar sessenta monges. Estes ficariam mais conhecidos como os Eremitas Paulinos. A ordem havia sido fundada no séc. XIII por Eusébio de Esztergom sob o padroado de São Paulo de Tebas (Eremita no Egipto), daí lhes advindo o epíteto. Local bastante estimado pelos primeiros monarcas da Dinastia de Bragança, o edifício é também um dos monumentos mais fascinantes do Além-Tejo. No início dos anos 90 do século passado foi transformado numa unidade hoteleira. O autor da obra, Fr. Henrique de Santo António (1682 - 1753), destacou-se por esta mesma crónica da sua ordem, mas foi também uma figura eclesiástica de grande influência. De acordo com Innocencio, foi Qualificador do Santo Ofício, Reitor do Mosteiro de Lisboa e, por duas vezes, Geral da Ordem. Chegou a ser ainda Examinador das Três Ordens Militares. O patrono dos bibliófilos portugueses diz ainda que Henrique de Santo António chegou a completar o manuscrito do III Tomo e algumas notas do Tomo IV, que provavelmente se perderam no Grande Terramoto de 1755. Já Fr. Manuel de S. Caetano Damásio, sucessor de Henrique de Santo António na Ordem dos Eremitas, na sua célebre ”Thebaida Portugueza”, afirma que o Prior prévio havia planeado cinco tomos, sendo que foram impressos apenas três. Conhecem-se até hoje, no entanto, apenas estes dois. É muito provável que, dada a sua proximidade, as informações de Damásio estejam mais correctas, até porque cinco tomos fazem mais sentido no longo tempo cronológico que faltou cumprir ao autor pela sua morte súbita em 1753. Assim sendo, é provável que o Tomo III, mais recente, tivesse tido o destino traçado pelas chamas incontroláveis que se seguiram ao fatídico abalo. Ambos os tomos foram impressos com grande qualidade, contendo o Tomo I uma gravura de excelente desenho representando o mosteiro, inserido numa belíssima cartela já da transição do joanino influenciado pela regência para o rococó. Bom estado geral de conservação. Encadernações coevas em inteira de pele. Lombadas nervuradas com belos ferros dourados; cansadas. O Tomo I apresenta substituição relativamente recente do rótulo da lombada. Miolo muito limpo em papel sonante, apenas com uma assinatura de posse coeva na guarda anterior de «Fr. Joze de Brito Eremita Augustiniano», um pequeno e marginal trabalho do bicho da mesma guarda até à fl. correspondente às pp. 185-186 e pequenas manchas de humidade à cabeça das primeiras fls. O Tomo II encontra-se afectado por fungos nas guardas anteriores e posteriores; manchas de humidade sensivelmente do meio do volume até ao final; o Index apresenta fungos e manchas extensas de humidade, com mais acentuação a partir da folha correspondente às páginas 899-900; minúsculas falhas de suporte nas últimas 3 fls. e guardas posteriores, sem prejuízo da leitura. Raro. Peça fundamental para a história da Igreja em Portugal. Fr. Manuel de S. Caetano Damásio, Thebaida Portugueza, T. I, pp. XII-XIII. Innocencio, III, 12, p. 179; T. X, p. 184. Azevedo-Samodães, 3053 Palha, 2470