Bidspirit auction | Bluteau, Rafael - PROSAS PORTUGUEZAS,
Bluteau, Rafael - PROSAS PORTUGUEZAS, RECITADAS EM DIFFERENTES CONGRESSOS ACADEMICOS, &c. Parte Primeira & Segunda. Lisboa Occidental. Na Officina de Joseph Antonio da Sylva. 1728. 383 (1) pp. 29,5 cm x 20 cm. E. - Esta rara primeira edição das “Prosas Portuguezas” de Bluteau, que apresenta um conjunto raro e representativo da vertente oratória e moralista do célebérrimo clérigo teatino, recolhendo discursos, reflexões e exercícios académicos que ilustram a vitalidade intelectual da Lisboa setecentista. A obra, destinada a círculos eruditos, revela o cuidado estilístico e a intenção pedagógica do autor, que alterna a gravidade moral com momentos de engenho retórico, compondo um testemunho significativo da prática académica portuguesa anterior ao iluminismo pleno. Pelo seu papel influente na história da nossa língua, estes textos desempenham também, outrossim, a consolidação de um português literário mais sistemático, característica que marcou a produção mais tardia de Bluteau. O livro possuiu um belo desdobrável tipográfico com um diagrama de um dos cálices românicos de Alcobaça, explicando o sentido das iniciais. Rafael Bluteau (1638 – 1734), lexicógrafo, polígrafo e clérigo regular, apesar de ter nascido em Londres filho de pais franceses, consegui fazer-se figura de proa da cultura portuguesa de todos os tempos, tendo-se notabilizado sobretudo pelo seu monumental “Vocabulário Portuguez e Latino” (1712–1728). Foi formado num ambiente cosmopolita, o que influenciou a sua escrita e a robustez erudita do seu labor filológico. Residente em Portugal desde a juventude, foi um pregador reputado, professor, compilador infatigável e figura central na evolução do pensamento linguístico português. A sua obra, dispersa por sermões, tratados, manuais pedagógicos e compilações lexicais, reflecte uma constante ambição de sistematizar, depurar e elevar a língua que cá recebeu. As “Prosas Portuguezas” são o culminar desse percurso, testemunhando o exercício disciplinado da eloquência e a procura de um modelo de prosa doutrinária adequado às exigências intelectuais do Reyno nos anos áureos da corte joanina. Bom estado geral de conservação. Encadernação coeva inteira de pele, com lombada nervurada com belos ferros dourados. Verso da pasta anterior e nova guarda sólida inseridos em restauro. Curioso erro tipográfico na folha de rosto da Parte Primeira (M. DCC. XXVIX), assim como restauro posterior do suporte que afecta um pouco a mancha (vide fotografia). Pequeno rasgo no pé da última fl. da Primeira Parte. Pequeno trabalho do bicho junto ao festo entre as fls. correspondentes às pp. 365-366 até à última folha da Parte Segunda. Pequenas e ténues manchas de humidade nalgumas fls. Pouco frequente e estimado. Innocencio, T. VII, 42-45. Azevedo-Samodães, 427.