Bidspirit auction | Aragão, Antonio Pereira Ferrea -
Aragão, Antonio Pereira Ferrea - DICCIONARIO MNEMOTECHNICO, E HUM BREVE RESUMO DAS REGRAS MAIS IMPORTANTES DA ARTE DE AJUDAR A MEMORIA. Lisboa. Na Typ. de José Baptista Morando. 1851. 252 (2) pp. 20,5 cm x 12,5 cm. E. - Raro e pioneiro estudo sobre técnicas de aprimorar a memória. Sobre esta obra, diz-nos Innocencio o seguinte: «Os repetidos testemunhos de pessoas respeitaveis por seu saber, ou insuspeitas por sua probidade, depondo de factos proprios, parece haverem posto fóra de duvida que Aragão conseguira effectivamente alargar os limites da Mnemonica, introduzindo e desenvolvendo formulas de sua composição, e combinações fecundas e vantajosas, como por vezes mostrou em actos públicos (...)». Nesta interessantíssima obra, onde Aragão «(...) depositou essas formulas, e expoz os princípios do seu methodo, deve ser tido como um poderoso auxiliar para todos os que se propozerem cultivar uma arte, cujas applicações tão proveitosas podem tornar-se, na practica já para conservar a sciencia adquirida, já para empregal-a de prompto, quando a necessidade o exige. Os preconceitos que o auctor excitara contra si, devidos mais que tudo á espécie de sobranceria e orgulho litterario que o dominavam, e que elle mal podia disfarçar sob as vestes de sua apregoada e fingida modestia, acham-se extinctos com elle, e é já tempo de lhe ser feita a justiça que na realidade merecer.» Ainda de acordo com o patrono dos bibliófilos em língua portuguesa, o excêntrico poeta e matemático António Pereira Ferrea Aragão (1801 - 1857) foi doutorado em Matemáticas pela Universidade de Paris, professor de Humanidades e director de colégios lisboetas. Exerceu igualmente funções de escrivão do Tribunal da Relação de Lisboa e foi, durante alguns meses, redactor do Diário do Governo em 1836, nomeado por Sá da Bandeira. Orgulhava-se particularmente da condecoração com o Hábito de Cristo que lhe fora investido por D. João VI, cujas insígnias usava habitualmente em casa. Ficou conhecido no seu tempo pelas suas idiossincrasias: a mnemónica — da qual esta obra que ora se apresenta a martelo é o maior expoente — e a das citações literárias. Aparentemente, dedicou os últimos dias da sua vida a representar períodos inteiros por palavras de uma ou duas sílabas e na recolha constante de citações literárias. Foi um autor prolífico, tendo escrito, para além das questões da mnemónica, sobretudo poesia e teatro, tendo visto algumas das suas peças representadas no Theatro do Salitre, ainda que sem grande sucesso. Bom estado geral de conservação. Encadernação singela recente em inteira de pele com lombada ornada a ferros dourados. Conserva a capa de brochura anterior. Assinatura de posse à cabeça da folha de rosto. Interior limpo, com esparsos picos de acidez. Innocencio, T. I, 1198, pp. 222-223.