Bidspirit auction | Leal, Gomes - PATRIA E
Leal, Gomes - PATRIA E DEUS E A MORTE DO MÁO LADRÃO: VERSOS. Lisboa. Livraria de João Carneiro & Cª. 1914. 19,5 cm x 13 cm. B. - Poema panfletário satírico que marca viragem ideológica de Gomes Leal, atacando violentamente a República e o líder republicano Afonso Costa. Nas palavras do autor: «pretendi traçar com violentas, humoristicas, ou heroicas pinceladas de treva e fogo — mas de molde a levantar a nossa fibra nacional derrancada — toda esta vil e actual tragi-comedia: toda esta debochada e criminosa decadencia actual: toda esta bambochata ensanguentada, porcalhona, enigmatica, apóz o cindo de Outubro, e até hoje». Pretende «fazer vibrar todas as Cordas Humanas da Lira»: rugidora, escarnecedora, sentimental, lacrimosa, heroica, epigramática, cruel. A última parte, intitulada ”Uma palestra com Portugal (Sátira heroica)”, lamenta a decadência nacional. António Duarte Gomes Leal (Lisboa, 1848 – Lisboa, 1921) foi um dos maiores poetas portugueses do final do séc. XIX e inícios do séc. XX. É considerado um precursor do modernismo e foi reconhecido por Fernando Pessoa como um dos seus mestres. Estreou-se com ”Claridades do Sul” (1875), obra muito elogiada por Cesário Verde. Publicou textos panfletários antimonárquicos como ”A Traição” e ”O Herege” (1881), que o levaram à prisão do Limoeiro. Converteu-se ao catolicismo após a morte da mãe. Terminou os dias na miséria, sobrevivendo da caridade alheia e depois de pensão estatal conseguida por amigos, destacando-se Teixeira de Pascoaes. Segundo o próprio: «Em mim há três coisas: o poeta popular e de combate, nas sátiras e panfletos; o poeta do sonho e do mistério; e o poeta místico». Bom estado geral de conservação. Esparsas manchas de acidez nas capas de brochura e no miolo.