Bidspirit auction | [Pádua Correia] (dir.) - PÃO


[Pádua Correia] (dir.) - PÃO NOSSO. Porto. Typ. Mendonça.1910. n.º 1 ao n.º 23. (Abril a Setembro de 1910). 368 pp. 21,5 cm x 14 cm. E. - Colecção completa deste semanário republicano portuense, inteiramente redigido por António de Pádua Correia (1873 - 1913). Publicação de combate, nascida nos meses que antecederam a implantação da República de 5 de Outubro de 1910, em que o seu autor denuncia, com tom mordaz e corrosivo, as ”vergonhas da Monarquia” e os ”crimes” da ditadura de João Franco. Documento de primeira importância para a reconstituição do clima político e social que preparou a queda do regime monárquico em Portugal. A colecção completa, reunindo os vinte e três números publicados entre Abril e Setembro de 1910, constitui testemunho raro e de assinalável interesse histórico. Pádua Correia foi uma figura destacada do republicanismo português e da agitação intelectual e jornalística do início do século XX. Natural de Sernancelhe, afirmou-se no meio estudantil do Instituto Industrial e Comercial do Porto, onde fundou o Movimento Académico Operário e promoveu a tentativa de criação de uma Universidade Livre na cidade. Participou activamente na propaganda republicana, sendo orador em iniciativas públicas, como o comício de 7 de Abril de 1907 em apoio ao pedagogo espanhol Francisco Ferrer. Jornalista combativo, exerceu funções de redactor e director em vários periódicos de orientação republicana, entre os quais, para além do título que ora se apresenta a martelo, “A Voz Pública” e o semanário “A Defesa”, colaborando ainda em jornais como “A Pátria” e “A Montanha”. Foi um dos principais dinamizadores das campanhas republicanas no Norte e Centro do país e, após a implantação da República, desempenhou também actividade política, sendo eleito deputado às Constituintes de 1911. A sua acção militante e o papel na difusão do ideário republicano valeram-lhe amplo reconhecimento entre correligionários e meios intelectuais, traduzido em homenagens ainda em vida e após a sua morte prematura aos 40 anos, ocorrida em Lisboa, em 1913. Bom estado geral de conservação. Encadernação com lombada em pele ornada com elegantes ferros dourados. Picos de traça com atravessamento total do vol. no pé de página e junto ao festo, ainda que sem grande expressão. Miolo limpo.