Bidspirit auction | Villiers, Alan - THE QUEST
Villiers, Alan - THE QUEST OF THE SCHOONER ARGUS. London. Hodder and Stoughton. 1951. 256 pp. 22,5 cm x 14 cm. E. - Primeira edição britânica deste clássico da literatura de viagem marítima que tanto diz a Portugal, publicada em simultâneo nos Estados Unidos pela Charles Scribner's Sons. Alan John Villiers (Melbourne, 1903 – Oxford, 1982) foi um dos últimos grandes escritores da navegação à vela: começou a navegar aos quinze anos, comandou navios de aparelho redondo, e deixou quarenta e quatro livros em que documentou, com a autoridade do testemunho directo, o crepúsculo da navegação à vela. Em 1950, a convite do Estado Novo português por iniciativa de Pedro Teotónio Pereira, embaixador em Washington, Villiers embarcou no lugre de quatro mastros Argus para acompanhar a Frota Branca — a frota bacalhoeira portuguesa que, sob o regime de Salazar, foi transformada em símbolo de tradição heróica — numa campanha de pesca à Terra Nova e às águas da Gronelândia nos Estreitos de Davis. O livro que resultou dessa viagem de seis meses é ao mesmo tempo crónica de bordo, estudo etnográfico dos pescadores portugueses do bacalhau, e documento visual de excepcional qualidade: as noventa e quatro fotografias do autor, reunidas em vinte e quatro pranchas, constituem um registo insubstituível dos últimos anos da pesca à linha a partir de dóris individuais lançados ao mar, prática então já condenada pela modernização. Villiers, que serviria mais tarde como Presidente da Society for Nautical Research e administrador do National Maritime Museum, captou neste volume não apenas a dura rotina dos pescadores mas o carácter singular da relação entre Portugal e o Atlântico Norte — uma relação de séculos que o Argus, um dos derradeiros representantes da sua classe, encarnava com elegância. Num país em que a incúria pelo seu património é um sintoma das graves patologias culturais que nos perseguem como povo desde a fundação de Santa Cruz de Coimbra por El-rei D. Afonso Henriques, o Argus, apesar das inúmeras e sucessivas promessas, continua encalhado há décadas em estado lastimável, à espera do restauro que o devolva ao seu lugar como marco indelével do séc. XX português. Como curiosidade, o fundador da ANNO é orgulhosamente descendente, neto e filho de pescadores-heróis desse milagre da natureza que é o bacalhau. Bom estado geral de conservação. Encadernação editorial. Conserva a sobrecapa; esta com pequenos defeitos. Miolo limpo.