Bidspirit auction | [BRASILIANA] Montanus, Arnoldus & van
[BRASILIANA] Montanus, Arnoldus & van Meurs - MAURITIOPOLIS [RECIFE]. 1671. Mancha: 28 cm x 54 cm; folha: 31 cm x 56 cm. - Uma vasta vista panorâmica da cidade do Recife, na região de Pernambuco, no Nordeste do Brasil. Este panorama, ricamente detalhado, de Mauritsstaad apresenta, em primeiro plano, uma cena animada de comerciantes europeus negociando com populações indígenas. Santos e putti sustentam a cartela com o título. Mauritsstaad, hoje parte integrante do Recife, foi outrora a capital do Brasil Holandês e um importante centro comercial. Recife, designada pelos ocupantes holandeses Mauritiopolis, surge aqui representada numa gravura associada à obra de Arnoldus Montanus (1625–1683), publicada em 1671. A povoação começou como um conjunto de cabanas de pescadores, estalagens e armazéns situados no delta formado pelos rios Capibaribe e Beberibe, na Capitania de Pernambuco, entre cerca de 1535 e 1537, nos primeiros tempos da colonização portuguesa da Terra de Santa Cruz, posteriormente denominada Brasil, na costa nordeste da América do Sul. Tratava-se inicialmente de um povoado de pescadores coloniais e de um ponto de escala para marinheiros portugueses e embarcações de passagem. A cidade recebeu o seu nome do longo recife que corre paralelamente à linha da costa e protege o porto. Este recife não é, como por vezes se afirma, de coral, mas antes uma antiga praia consolidada, hoje tão firme e dura como pedra. Recife foi a capital da Nova Holanda (Brasil Holandês) no século XVII, fundada pela Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais e então denominada Mauritsstad (Mauritiopolis). Contudo, a cidade foi reconquistada pelos portugueses em 1654, após as vitórias nas Primeira e Segunda Batalhas dos Guararapes. Esta vista foi publicada no célebre atlas de John Ogilby, “America: Being the Latest, and Most Accurate Description of the New World”, editado em Londres em 1671. A obra de Ogilby constitui uma tradução inglesa de “Die Nieuwe en onbekende Weereld…”, de Arnoldus Montanus, publicada em Amesterdão no mesmo ano. Consideradas das primeiras grandes enciclopédias dedicadas ao Novo Mundo, ambas as obras são ricamente ilustradas com mapas, vistas e retratos. No final da década de 1630, a Holanda procurou reafirmar o seu domínio sobre o Brasil, estabelecendo uma série de fortes ao longo da costa. Trata-se de uma das colónias melhor documentadas, em grande parte graças à expedição conduzida pelo príncipe Maurício de Nassau, que procurou reunir no Novo Mundo uma autêntica corte intelectual. Para esse efeito levou consigo um grupo de artistas, cartógrafos e cientistas de grande mérito, encarregados de registar as particularidades do Brasil. Entre eles contavam-se o célebre pintor Frans Post e o astrónomo Georg Markgraf, autor do primeiro estudo sistemático do céu do hemisfério sul. Post realizou numerosas pinturas da paisagem brasileira, bem como da vegetação e da fauna circundantes. As suas obras constituem algumas das mais antigas representações europeias do Brasil e foram amplamente reproduzidas em gravura por artistas neerlandeses. Em muito bom estado geral de conservação.