Bidspirit auction | [BRASILIANA; FEMINISMO] Cobra, Ercilia Nogueira
[BRASILIANA; FEMINISMO] Cobra, Ercilia Nogueira - VIRGINDADE ANTI-HYGIÊNICA: PRECONCEITOS E CONVENÇÕES HYPOCRITAS. São Paulo. Companhia Graphico-Editora Monteiro Lobato. 1924. 117 (1) pp. 14 cm x 10 cm. B. - «A autora articula neste livro um verdadeiro libello contra o egoismo dos homens e diz, em linguagem crúa, o que talvez todas pensem...» Segunda edição, do mesmo ano e após a apreensão da primeira, do mais polémico ensaio feminista brasileiro da década de 1920. Obra publicada por iniciativa do próprio Monteiro Lobato, seria, como já se indicou, imediatamente apreendida pela polícia por ordem do presidente Artur Bernardes, que a considerou pornográfica. A primeira edição continha apenas 116 pp.; a presente foi acrescida de um artigo introdutório que nenhum jornal aceitou publicar — e que neste volume parece ter sido expurgado —, e de uma nota da autora aos leitores apoiando-se em Anatole France e atestando a sua sinceridade; e ainda de uma «Conclusão» final — elevando a paginação de 116 para cerca de 117 páginas. Esta tiragem foi rodada nos prelos das mesmas oficinas paulistas e no mesmo ano. Ercília Nogueira Cobra (1891–?), natural de Mococa (São Paulo), educada em colégio de freiras e autodidacta de leituras que iam de Nietzsche a Zola, argumenta neste ensaio, com base na psicanálise e na biologia comparada, que a imposição da virgindade feminina é antinatural e causadora de distúrbios psíquicos, que noventa por cento das mulheres nos prostíbulos chegaram à prostituição por necessidade e não por vício, e que a emancipação da mulher passa necessariamente pela educação formal e pelo direito ao trabalho. Perseguida pelo Estado Novo brasileiro, foi presa e torturada em várias cidades. O local e a data da sua morte permanecem até hoje desconhecidos. Ausência da fl. anterior à nota aos leitores. Ainda assim, constitui certamente uma peça de colecção de magna importância para a história da emancipação da mulher no Brasil.