Bidspirit auction | Baudelaire, Charles - LES FLEURS


Baudelaire, Charles - LES FLEURS DU MAL. Paris. Éditions Rombaldi. 1950. (X) 329 (3) pp. 20,5 cm x 15,5 cm. B. - Les Fleurs du mal , de Charles Baudelaire — obra da qual a ANNO já teve o privilégio de colocar na praça um exemplar a primeira edição —, marcou profundamente a história da poesia ocidental moderna. Conhecido até então sobretudo como crítico de arte, Baudelaire aspirava a deixar uma marca literária duradoura. Pelos anos de 1840 começou a escrever poemas de tom sombrio e provocador, onde exprimia o seu desencanto perante a banalidade e a corrupção moral da vida urbana moderna. O livro provocou escândalo e admiração em igual medida. Um ano depois, o Estado francês processou o autor e o editor por «ofensa à moral pública», exigindo a supressão de seis poemas considerados indecorosos, que este exemplar contém. Apesar da censura, o Tribunal de la Seine reconheceu o valor literário do conjunto. O título da obra fora sugerido a Baudelaire pelo seu amigo Hippolyte Babou, e simboliza precisamente essa tensão entre o belo e o corrupto, entre a pureza da arte e a decadência moral. A estrutura da obra, organizada em secções como «Spleen et Idéal», «Fleurs du mal», «Révolte», «Le Vin e La Mort», reflecte a luta interior do poeta entre o desejo de elevação e o peso da melancolia, da atracção da carne e da perdição. Poemas como «La Beauté», «Le Serpent qui danse» ou «L’Invitation au voyage» revelam o contraste constante entre ideal e abismo. Com o tempo, novas edições acrescentaram poemas e consolidaram a obra como uma das mais influentes do século XIX, dando corpo a uma revolução poética que complementava todas as outras revoluções artísticas que surgiam em França e um pouco por toda a Europa. A sua linguagem musical, o imaginário urbano e o fascínio pela beleza decadente fizeram de «Les Fleurs du mal» um ponto de viragem na poesia ocidental — um espelho da modernidade e das suas contradições. Esta edição é belíssimamente ilustrada a cores pelo célebre e prolífico pintor, ilustrador e gravador André Collot (1897 - 1976). Capas de brochura com ténues picos de acidez. Lombada com pequenos defeitos. Miolo limpo.