Bidspirit auction | Hatherly, Ana - PARA UMA


Hatherly, Ana - PARA UMA ARQUEOLOGIA DA POESIA EXPERIMENTAL: ANAGRAMAS PORTUGUESES DO SÉCULO XVII. Sep. de Colóquio / Artes, n.º 40. Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian. 1979. 30 cm x 23 cm. B. - Obra da ensaísta e poeta Ana Hatherly (1929-2015), publicada como separata da revista «Colóquio / Artes» (n.º 40, 1979), este estudo constitui uma incursão pioneira nos territórios da poesia visual e experimental portuguesa dos séculos XVII e XVII. Sob o título evocativo de uma arqueologia literária, Hatherly debruça-se sobre a tradição dos anagramas portugueses seiscentistas — composições em que a reordenação das letras de um nome ou de uma palavra gera novos sentidos, explorando as virtualidades lúdicas e filosóficas da língua. A autora demonstra que esta prática, longe de constituir um mero exercício de engenhosidade retórica, inscreve-se numa concepção mais vasta da poesia como manipulação visual e semântica do signo linguístico, antecipando, por essa via, as propostas da poesia experimental do século XX. O ensaio articula erudição bibliográfica e sensibilidade poética, revelando a continuidade de uma linhagem que Hatherly fazia questão de reivindicar como antecessora legítima das vanguardas contemporâneas. Ana Hatherly, nascida em Vila Nova de Gaia em 1929 e falecida em Lisboa em 2015, foi poeta, ensaísta, ficcionista, artista plástica e professora universitária. Licenciada em Filologia Germânica pela Universidade de Lisboa e doutorada em Literatura Comparada, leccionou nas Universidades de Lisboa e Nova de Lisboa, bem como em instituições norte-americanas. Figura central do movimento de Poesia Experimental portuguesa — co-editora, com E. M. de Melo e Castro, da antologia «PO.EX: Textos Teóricos e Documentos da Poesia Experimental Portuguesa» (1981) —, a sua obra situa-se na confluência da literatura, das artes visuais e da investigação histórica. O seu interesse pela tradição maneirista e barroca ibérica, que a levou a recuperar e reinterpretar textos e práticas visuais quase esquecidas, constitui uma das mais originais contribuições da cultura portuguesa para o estudo das vanguardas literárias europeias. Bom estado geral de conservação. Miolo limpo.