Bidspirit auction | Gonçalves, Egito; Leitão, Luís Veiga
Gonçalves, Egito; Leitão, Luís Veiga & Carlos, Papiniano - SONHAR A TERRA LIVRE E INSUBMISSA... Porto. Editorial Inova. 1973. 92 (8) pp. 22,5 cm x 14,3 cm. B. - Publicada um ano antes do 25 de Abril de 1974, ”Sonhar a Terra Livre e Insubmissa” (1973) reúne poemas dos três protagonistas da mais consequente iniciativa poética de resistência do Porto salazarista, os ”Notícias do Bloqueio” — série de fascículos de poesia co-dirigidos entre 1957 e 1961. O título, que era já a divisa de um projecto que elegeu a poesia como arma e testemunho, adquire em 1973 a força de um presságio: a terra sonhada estava, de facto, a um ano de se tornar possível. O volume abre com uma estrofe de Daniel Filipe, quarto membro do núcleo dos ”Notícias do Bloqueio”, da qual os poetas retiram um verso para formar o título da obra. Daniel Filipe havia publicado a estrofe cerca de dez anos antes em ”Patria lugar de exílio”, conferindo ao conjunto uma solidariedade geracional que ultrapassa os três nomes do rosto. A dicção comum trabalha o Portugal sombrio, o operário, o preso, a saudade da liberdade — temas tratados com a mestria de quem a repressão conhecia pelo nome. Egito Gonçalves (1920-2001) nasceu em Matosinhos e viveu toda a vida ligado ao Grande Porto. Para além da poesia, foi editor, tradutor e director de várias revistas literárias, entre elas ”A Serpente” (1951), ”Árvore” (1951-1953) e ”Limiar”; recebeu o Prémio Internacional Nicola Vaptzarov em 1985. Luís Veiga Leitão (1912-1987), pseudónimo de Luís Maria Leitão, natural de Moimenta da Beira, foi militante antifascista desde a juventude e padeceu prisão política. A experiência da cela está na génese de ”Noite de Pedra” (1955), o livro que fixou a sua reputação e que a censura apreendeu. Exilou-se no Brasil em 1967 e morreu em Niterói em 1987. Papiniano Carlos (1918-2012) nasceu em Lourenço Marques (actual Maputo) e veio criança para o Porto. Um dos nomes tutelares do neo-realismo português, foi preso pela PIDE e afastado do ensino por se recusar a subscrever a declaração anticomunista imposta pelo regime. A par da poesia de combate, escreveu para a infância — ”A Menina Gotinha de Água” renovou o género em Portugal —; Fernando Lopes Graça e Luís Cília musicaram os seus versos. Ilustrado com desenho de Augusto Gomes. Bom estado geral de conservação.