Bidspirit auction | Carlos, Papiniano - CAMINHEMOS SERENOS.


Carlos, Papiniano - CAMINHEMOS SERENOS. Coimbra. Vértice. 1957. 86 (2) pp. 18,7 cm x 11,7 cm. B. - Colectânea de poemas apreendida pela Comissão de Censura, que qualificou «Caminhemos Serenos» (1957) de «sabor comunizante» — o que não impediu os seus versos de circular em cópias dactilografadas, lidos em convívios e declamados em iniciativas antifascistas por todo o país. O título anuncia a postura: a serenidade, no poema que dá nome ao volume e que se tornaria um dos mais emblemáticos da poesia de resistência portuguesa, é o inverso da resignação — a defesa inabalável da dignidade humana perante o terror. A poesia organiza-se em torno de um vocabulário de solidariedade e esperança colectiva, marcado pela recorrência anafórica e pela intensidade simbólica: o sangue, as lágrimas, a luz, as mãos dadas, o caminho. O volume surge no mesmo ano em que o autor lançaria, com Egito Gonçalves, Luís Veiga Leitão e outros, os «Notícias do Bloqueio» (1957-1961) [vide tb. Lote 57], fascículos de poesia que reuniram o núcleo mais activo da resistência literária portuense. Papiniano Carlos (1918-2012) nasceu em Lourenço Marques (actual Maputo) e veio criança para o Porto. Um dos nomes tutelares do neo-realismo português, foi preso pela PIDE em diversas ocasiões e afastado do ensino por se recusar a subscrever a declaração anticomunista imposta pelo regime. Além da poesia de combate, deixou obra vasta no conto, na crónica e na literatura infantil — «A Menina Gotinha de Água» (1962) renovou o género em Portugal —; Fernando Lopes Graça e Luís Cília musicaram os seus versos. Não conheço, não sei de outro país. Ó meu amor, feliz ou infeliz, por que me escondes minha própria imagem? Capas com pequenos picos de acidez, assim como no interior, sem grande expressão. Raro.