Bidspirit auction | [MANUSCRITOS; DIPLOMACIA; RELAÇÕES PORTUGAL-ESPANHA] CORRESPONDÊNCIA


[MANUSCRITOS; DIPLOMACIA; RELAÇÕES PORTUGAL-ESPANHA] CORRESPONDÊNCIA DIPLOMÁTICA DA REPRESENTAÇÃO PORTUGUESA EM MADRID. 1794 E 1800-1801. 138 DOCUMENTOS. FORMATOS E DIMENSÕES DIVERSOS. - Precioso acervo de correspondência diplomática respeitante à representação portuguesa em Madrid, compreendendo duas extensas séries de minutas e cópias autógrafas de comunicações expedidas por Diogo de Carvalho e Sampaio, então embaixador extraordinário e ministro plenipotenciário na corte Espanhola, e apensos a estas originais de vários ofícios e cartas por si recebidos de diversas individualidades. A primeira sequência, correspondendo ao intervalo temporal de 1 a 29 de abril de 1794, compreende 28 minutas do punho de Carvalho e Sampaio e 26 originais de ofícios e cartas de que foi destinatário, nomeadamente 11 de Luís Pinto de Sousa Coutinho, futuro visconde de Balsemão, ao tempo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, nove do tenente-general John Forbes, comandante das forças portuguesas na Campanha do Rossilhão, e cinco de Manuel de Godoy, duque de Alcudia e depois príncipe da Paz. Acrescem um ofício de Pinto de Sousa e uma ordem de Godoy em cópia, bem como um convite impresso, com remetente manuscrito, para a sagração arquiepiscopal do confessor do rei, D. Manuel Quintano Bonifaz. De entre o teor destes intercâmbios— cujo início coincide sensivelmente com a partida de Madrid do seu antecessor, D. Tomás de Noronha — avulta o tema da guerra que então opunha a Coligação Luso-Espanhola à Primeira República Francesa, documentando-se abundantemente tanto a campanha pirenaica como os desenvolvimentos militares noutras frentes do conflito, além de outros assuntos político-diplomáticos. Já a segunda série, correndo de 2 de dezembro de 1800 a 21 de fevereiro de 1801, compreende 35 minutas de missivas de Sampaio e idêntica quantidade de correspondência original por si rececionada, nomeadamente 23 ofícios de Pinto de Sousa, nove cartas originais a si dirigidas pelo estadista espanhol Pedro Cevallos, então primeiro ministro de Carlos VI, uma do seu antecessor Mariano Luís Urquijo, uma do sobrecitado Godoy, já na sua dignidade principesca, e uma de D. José Maria de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, 5.º morgado de Mateus. Acrescem 13 ofícios e cartas de Godoy, Cevallos e Pinto de Sousa em cópia. Este núcleo mais tardio coincide com o período-chave correspondente às vésperas da eclosão da Guerra das Laranjas, que veio a opor os dois países entre maio e junho de 1801. O material, cronologicamente sequencial para os dois intervalos referidos, apresenta-se sem intermitências aparentes para os meses de abril de 1794 e fevereiro de 1801, sendo possivelmente incompleta a série de Dezembro de 1800 e estando representado por um documento apenas o mês de janeiro de 1801. Diogo de Carvalho e Sampaio (1750-1807), natural de Lamego e magistrado de carreira, foi representante português em Madrid entre 1789 e 1801, detendo sucessivamente os postos de chargé d'affaires, ministro plenipotenciário e embaixador extraordinário, tendo aí travado conhecimento com numerosos ilustrados europeus; cultor amador mas profundo das ciências, no melhor espírito da elite iluminista, escreveu um Tratado das cores e uma Dissertação sobre as cores primitivas que foram ao tempo muito apreciados. As personalidades representadas pelas restantes missivas, com o notável Godoy à cabeça, são na sua maioria figuras de primeira ordem da história peninsular no período em causa. Fonte da maior importância para as relações entre os dois estados, e suas repercussões europeias, entre os finais do século XVIII e o dealbar do século XIX. Em duas capilhas coevas tituladas no rosto, respetivamente, “Madrid, Abril 1794” e “Fevereiro 1801” (não obstante, conforme notada, a inclusão de algum material relativo a outros meses). Alguns documentos, correspondendo a pelo menos 6 folhas da primeira série, removidos por corte, provavelmente na época. Danos de rato a quatro dos documentos, em dois dos casos com prejuízo do texto, e vários com manchas de água, na maioria ligeiras; desgastes pontuais às margens de algumas folhas e capilhas com falhas no papel. No mais, em bom estado de conservação.