Bidspirit auction | [MANUSCRITOS; POLÍTICA; CORRESPONDÊNCIA; VOUZELA; SERRA


[MANUSCRITOS; POLÍTICA; CORRESPONDÊNCIA; VOUZELA; SERRA DE SINTRA] CONJUNTO DE PAPÉIS PESSOAIS E POLÍTICOS DO CONSELHEIRO ALBERTO ANTÓNIO DE MORAIS CARVALHO. 1849-1878. c. 300 docs. Formatos e dim. diversos. - Muito extenso acervo de documentação respeitante ao percurso pessoal e político do magistrado e político vouzelense Alberto António de Morais Carvalho, cobrindo sensivelmente — conquanto não de modo sistemático — o período compreendido entre o seu regresso do exílio no Brasil, em 1848, e a sua morte. Entre as pastas organizadas pelo próprio destacam-se apontamentos manuscritos e vários impressos anotados versantes sobre a criação e enquadramento legal do Crédito Predial Português, de cuja fundação foi o principal proponente (1859-1864) e sobre a constituição de hipotecas (s.d.), bem como apontamentos, rascunhos e recortes respeitantes a projetos de lei e discursos proferidos na qualidade de deputado e noutros cargos (1852-1877), à administração e contabilidade da Câmara Municipal de Lisboa sob a sua presidência (1852-1853) e à sua atividade e aposentação como juiz conselheiro do Tribunal de Contas (1866-1877). O conjunto inclui ainda, agrupado em capilhas ou avulso, grande número de cartas, ofícios, recomendações, minutas, recortes de diversas publicações periódicas e legislativas e cópias de comunicações expedidas cobrindo várias etapas do seu percurso profissional e político, além de documentos pertinentes à sua administração particular e a processos que de algum modo acompanhou — salientando-se de entre estes a primeira ação judicial movida contra o salteador João Brandão em 1861. Os correspondentes representados por cartas ou conjuntos de cartas incluem António Bernardo da Costa Cabral, 1.º conde e marquês de Tomar, D. João de França Castro e Moura, bispo do Porto, Luís de Freitas Branco, ao tempo subdiretor geral da Direção dos Negócios Eclesiásticos, o professor universitário e político Júlio Máximo de Oliveira Pimentel, o juiz Domingos Manuel Pereira de Carvalho e o magistrado Joaquim Pereira Guimarães.  Fragmentário, mas merecedor de nota pela curiosidade do tema, é o diário autógrafo de duas expedições à serra de Sintra, empreendidas em 1853 e 1854, com grande riqueza de apontamentos de interesse histórico e científico, avultando de entre estes os dados botânicos. Regista-se ainda uma instrução bastante detalhada sobre o modo de catalogar e descrever livros para efeitos biblioteconómicos. Preserva-se também, se bem que bastante danificado, o seu diploma de admissão enquanto sócio da Academia das Ciências de Lisboa. Inclui-se no conjunto, impressa e encadernada em brochura, a Proposta de Codigo de Credito Predial apresentada á camara dos senhores deputados, de sua autoria, tal como submetida a discussão na primeira sessão de janeiro de 1863, em edição do mesmo ano da Imprensa Nacional. Alberto António de Morais Carvalho (1801-1878) foi natural de Vouzela, filho de Luís de Morais Carvalho e de sua mulher Joaquina Rosa de Morais Torres. Havendo cursado Cânones na Universidade de Coimbra, aderiu ainda jovem ao ideário liberal e participou, em 1828, na revolução que visou implementar a Junta do Governo Provisório do Porto. Dado o insucesso deste golpe, emigrou para a Galiza, depois para a Inglaterra, e estabeleceu-se enfim no Rio de Janeiro, onde exerceu como advogado e assinou algumas obras jurídicas. Regressado a Portugal nos alvores da Regeneração, foi sucessivamente vereador e presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1852-1853), membro da Junta Geral do Distrito de Lisboa e finalmente Governador Civil, cargo para o qual se viu nomeado em 1859; foi ainda deputado em várias legislaturas, ministro dos Negócios Eclesiásticos nos governos do duque de Loulé e do marquês de Sá da Bandeira, e conselheiro do Tribunal de Contas. Em atenção aos seus serviços públicos granjeou a dignidade de Par do Reino e uma comenda na Ordem de Cristo; foi ainda depositário da Ordem da Rosa, do Brasil, e grã-cruz de Leopoldo da Bélgica, além de sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, na classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras. Além das obras que deu a lume dentro da sua área de formação, publicou em 1850 uns Aforismos e pensamentos morais, religiosos, políticos e filosóficos, nos quais plasmou a sua mundivisão progressivista e reformadora, informada pelo positivismo de Augusto Comte. Não obstante ter vivido grande parte da vida na capital e aí falecido, a povoação onde nasceu homenageou-o com uma estátua na sua principal praça, inaugurada em 1882.  Conjunto extremamente importante, pelo seu alcance temático e cronológico, para o conhecimento da figura, não obstante o caráter fragmentário / desarticulado de alguns dos seus núcleos, tocando por ramificação vários temas e figuras importantes da segunda metade do nosso século XIX. Bom estado de conservação geral,