Bidspirit auction | PRIMEIRA GUERRA – Correio de
PRIMEIRA GUERRA – Correio de prisioneiro português internado na Holanda após captura dos Alemães. (1918) - 📬 Carta circulada de Gravenhage (Holanda) para Lisboa, enviada por um militar português internado nos Países Baixos após captura pelos alemães e posterior transferência. Envelope com carimbo de franquia manuscrito “Franchise postale / Militaire belge interné en Hollande”, indicando tratamento especial sem porte pago. 🕊️ Marcas postais e de censura: Carimbo oval francês de censura militar “OUVERT par autorité militaire 17” na frente e verso; Marca manuscrita de franquia postal por estatuto de internamento; Raro carimbo violeta: “PORT FRANC DE PORT? Militaires étrangers internés dans les Pays-Bas”; Marca de origem: Gravenhage 19.VI.1918; Carimbos de trânsito e receção em Lisboa a 26.VII.18 (carimbo octogonal CENTRAL – Lisboa). 📎 Envio feito através do ”Office Belge – Patrie et Liberté” (Haia), organização de apoio a militares aliados internados. 📮 Destinatário: Mlle. Marguerite Braz Simões, Avenida da República, Lisboa. 📌 Peça raríssima e com grande valor histórico-postal, representando a situação dos soldados portugueses feitos prisioneiros na frente ocidental durante a Grande Guerra, posteriormente transferidos para campos neutros. 🧩 Porque é que se presume que foi capturado e depois internado na Holanda? 1. Origem: Holanda, em 1918 O envelope foi enviado de Gravenhage (Haia) a 19.VI.1918. Portugal não tinha tropas estacionadas na Holanda na Primeira Guerra Mundial. Os militares portugueses estavam na frente ocidental (França/Flandres). Única explicação para militares portugueses na Holanda: internamento por neutralidade, geralmente após prisão e posterior transferência por parte da Alemanha. 2. Franquia manuscrita e carimbo violeta A anotação manuscrita diz claramente: “Franchise postale – Militaire belge interné en Hollande” — uma fórmula usada por prisioneiros de guerra aliados transferidos para território neutro (como a Holanda) sob acordos da Cruz Vermelha. O carimbo violeta diz: “Militaires étrangers internés dans les Pays Bas” ou seja, “Militares estrangeiros internados nos Países Baixos”. Isto implica que o remetente era um militar estrangeiro (não holandês), internado na Holanda, e não em missão militar nem em trânsito. 3. Destino: Lisboa A carta foi enviada para Lisboa, com nome e morada civil (Marguerite Braz Simões). As comunicações com Portugal nestes casos eram feitas com autorização da censura militar francesa e dos serviços diplomáticos neutros. 4. Contexto histórico Vários militares portugueses foram feitos prisioneiros na ofensiva alemã de 9 de abril de 1918 (Batalha de La Lys). Alguns desses prisioneiros foram transferidos para campos de internamento na Holanda no verão de 1918, ao abrigo de convenções entre a Alemanha, países neutros e a Cruz Vermelha. ✅ Conclusão: Não está explicitamente escrito “capturado pelos alemães”, mas todos os elementos convergem para essa situação: militar português → internado na Holanda → com franquia de prisioneiro → em plena guerra → sem tropas portuguesas nesse território → apenas possível por captura e posterior transferência.